De uma coisa eu sabia, eu sabia o que queria para nós dois naquele momento de nossa vida, da nossa relação.
Também sabia o que a maioria das pessoas imaginam sobre como deve acontecer. Que, não para mim, mas para elas, as pessoas, o certo é o rapaz se ajoelhar e pedir; ele tem que pedir porque será o dono do lar, mesmo que pensem isso inconscientemente.
Na verdade, muitas das coisas nas quais acreditamos estão no inconsciente. Nem sabemos que acreditamos numa determinada coisa, mas temos aquilo como certeza lá dentro de nós, naquela parte em que mora o lado oculto. O oculto que existe em cada um. Alguns até conseguem descobrir um pouco de si mesmo.
Por muito tempo, preocupei-me com o que os outros pensariam de mim. Embora essa época tenha existido em minha vida, finalmente cheguei na aceitação, isso com muito luta - interna.
Quando começamos a nos relacionar, não rotulamos nada. Eramos nós dois, sem explicações do que acontecia, sem regras, sem rótulos ou cronometro. Porque, assim como eu, aquela outra pessoa também não queria mais a autorrejeição por olhar-se com olhos alheios, e não com os próprios olhos. É uma coisa estranha nossa atitude como ser humano. Temos nossos próprios olhos, olhamos através dos outros primeiro. Temos nossa pele, sentimos através dos outros primeiro. Ou, pior, só "experimentamos" através dos outros.
Disse:
– Tenho uma coisa para nós dois. É uma coisa boa, para mim. Deve ser para você também. Mas não posso te dizer o que é agora, quero estar muito bonita, arrumada.
Então eu ganharia um jantar feito por uma pessoa que era, naquele momento da minha vida, a minha pessoa favorita. Seria dois dias depois.
Fui para a casa onde ele me serviria. E eu estava linda. Estava muito bem, estava feliz, tão feliz que felicidade irradiava de dentro de mim, por isso estava linda.
Quando uma pessoa está indecisa sobre algo que será para a vida inteira, ela sente um tipo de medo que é inato do ser humano. Quando ela finalmente escolhe qual caminho seguir, o medo vai desaparecendo enquanto um sentimento de grandiosidade vai surgindo. Eu tinha que tomar uma decisão. E fiquei muito contente por tomá-la.
Podia acontecer várias coisas, mas dentro de mim estava um brilho colorido, como fogos de artifícios, brilhoso, colorido e expansivo.
Era uma pergunta, no entanto, apesar de pergunta ser espaço para escolha de direção, estava claro que aconteceria tudo para o meu bem.
Por algum motivo inconsciente, ou simplesmente pela cultura em que fomos criados, há coisas que queremos muitos fazer ou ser. E eu queria ser realmente alguma coisa de alguém antes de tudo acabar. Claro que nasci de algum lugar, vivi em um lugar, fui coisas de pessoas por quase obrigação, fui o que tinha que ser, sem escolha ou reclamação. Família. Antes de acabar, eu queria realmente ser algo de alguém, que fosse escolha, fosse pergunta e, depois, total certeza. Favoritar e ser favorita.
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