sábado, 9 de agosto de 2014

Sabiamente esquecemos


Eles sabiam o que aconteceria.
Qualquer um saberia o que aconteceria dali a alguns meses ou, sendo mais pessimista, ou o extremo oposto disso, a algumas semanas. O que podemos esperar deles? Conheceram-se em meio a batalhas quase perdidas. Por um milagre, se é que eles existem, salvaram-se. Um combatente de guerra pode não morrer em meio a todas aquelas bombas e mortes, não morrer no sentido concreto do fato, mas obviamente haverá alguma morte dentro do "guerreiro". Somos feitos de partes, partes que formam um todo que parece indivisível. Uma parte do guerreiro morre, ele continua vivo no sentido concreto do fato.
Estavam perdidos sem saber que estavam. Encontraram algo que perderam? Não mesmo. Não era de ninguém. Não eram.
Estavam, talvez, onde deveriam estar, se existe destino. Encontraram-se. E ganharam.
Ganharam aquela batalha interna. Uma que existe dentro de cada um se for permitido. Que acontece porque existe falta, o oposto da sobra e até do suficiente. Falta de amor, falta de carinho, falta de atenção, falta de compreensão, falta de paixão, falta de altruísmo, falta de tudo o que se falta.
Estavam perdendo porque chegaram ao ponto de desistir de tentar. Cansaram do tempo. Do tempo que não existe para curar as partes do que se vive. O tempo só tá lá porque o criaram. Apenas, entende-se ou aceita-se, mas tudo permanece e se esvai. Porque tudo vai para o espaço, vai se perder por lá e ser encontrado também. Sendo, assim, o eterno ir e vir das coisas.
Eles estavam juntos, adoravam estar juntos.
Talvez exista destino mesmo. Eles estavam juntos, aprenderam o que deveriam para que aquilo, naquele momento, fosse bom. Aprenderam a compreender o sentimento, seja qual for. Aprenderam que, algumas vezes, se você entende, para de sentir. Outras vezes quer mais, mais, mais numerosas vezes. Criamos nossa própria dor, e a adoramos, ou escolhemos deixa-la ir. Depende de quem somos na hora. Escolheram no mesmo tempo, espaço, momento, dimensão e todas as outras identificações. Tudo prosperou para que desse certo. Quase sempre as pessoas não acreditam no que estão vivendo, acham melhor assim porque é melhor do que a decepção de estar errado por achar que seria para sempre. Eles não. Aprenderam até isso. Que tudo o que devem fazer é estar ali, sem passado ou futuro.
Viviam tudo. Até o medo momentâneo.
Quem sabe elas não sabiam o próximo passo. Algo aconteceu pois estavam discutindo no meio de umas pessoas apressadas. Depois aconteceu outro evento, e outro, e outro.

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