Mil dias em mim habitariam.
Seriam dias como eu. Seriam claros e escuros. Cheios de forma e desformidades.
Eles seriam chuvosos, seriam ensolarados. Seriam em mais de três metades.
Seriam hoje e amanhã ao mesmo tempo.
Seriam inteiros e quebrados.
Seriam mil dias em um dia só.
Seria um grande amor.
Seria uma melancolia sem fim.
Seria mutilação, e seria amor.
Passariam rápido. Também seriam como lesmas lentas.
Seria outras pessoas. Outros dias.
Sobreporiam-se.
Seriam falsos e sinceros. Em um só dia.
Roubariam e conjurariam.
Principalmente, seria ele, todos os dias, em algum lugar lá estaria.
Fosse do jeito que fosse, lá ele estaria.
Atrás de uma nuvem exausta.
Na frente de uma macieira.
Do lado de um casal.
Estaria lá, bastaria procurar.
Ou seria uma grande dor que abate a cidade.
Ou seria um beijo.
Mas estaria lá para que alguém encontrasse para o dia terminar.
Enfim.
Em alguns dias, ele seria tudo.
Seria até as formas das casas.
Seria os pássaros.
Em outros, seria nada em forma de chuva.
Mas não esqueça, sempre estaria lá.
Em todos os mil dias.
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